Privatização do Aeroporto de Guanambi Avança na Surdina Enquanto a Mídia Local Silencia
Processo segue acelerado e sem debate público — repetindo o roteiro do estacionamento — enquanto veículos tradicionais evitam questionar interesses políticos e econômicos

A possível privatização do Aeroporto Isaac Moura Rocha, em Guanambi, está avançando de forma silenciosa, quase despercebida pela população. Assim como ocorreu na polêmica privatização do estacionamento rotativo da cidade, o processo parece correr “na surdina”, sem transparência, sem audiências públicas e sem o devido debate social que um tema dessa magnitude exige.
Enquanto isso, a chamada “mídia convencional” da cidade, que deveria fiscalizar, questionar e informar, permanece em absoluto silêncio. Nenhuma matéria aprofundada, nenhuma investigação e nenhuma pressão sobre as autoridades. Para muitos, a postura soa como “jogo combinado” — um pacto velado onde tudo se resolve nos bastidores, enquanto a população, que é a verdadeira dona do patrimônio público, fica de fora das decisões.
Silêncio da mídia: omissão ou conveniência?
O que mais chama atenção é o completo silêncio dos grandes portais e comunicadores locais. Em outras cidades, a privatização de um aeroporto costuma gerar:
- debates entre especialistas,
- reportagens investigativas,
- audiências com autoridades,
- questionamentos sobre impactos econômicos e tarifas.
Mas em Guanambi, nada disso ocorre.
A ausência de cobertura sugere um ambiente onde interesses políticos e financeiros parecem se sobrepor ao dever jornalístico de informar. Há quem questione se o silêncio não é, na prática, um “cala boca” sustentado por benefícios indiretos, patrocínios ou alinhamentos estratégicos com a gestão municipal.
Por que isso importa?
Um aeroporto não é apenas um prédio: é uma estrutura estratégica que influencia diretamente o desenvolvimento regional, o preço de passagens, a atração de empresas e a mobilidade da população.
Privatizar pode trazer:
- investimentos,
- modernização,
- expansão de rotas.
Mas também pode resultar em:
- cobrança abusiva de tarifas,
- exploração comercial sem retorno para a cidade,
- exclusão de voos populares,
- dependência de um operador privado com objetivos próprios — e não coletivos.
Por isso, transparência é indispensável.
A população precisa saber, discutir e decidir
A falta de debate público não é apenas uma falha: é uma afronta ao caráter democrático das políticas públicas.
A sociedade guanambiense tem direito de conhecer:
- quem são os interessados;
- quais os termos do contrato;
- quem lucra e quem perde;
- qual será o impacto real para a cidade.
A omissão da mídia tradicional contribui para que tudo permaneça nas sombras enquanto o processo corre a todo vapor.
Conclusão
A privatização do aeroporto pode até ter pontos positivos — se discutida com responsabilidade.
Mas, do jeito que está sendo conduzida, lembra o mesmo roteiro do estacionamento privatizado: atropelo, silêncio e decisões tomadas nos bastidores.
Guanambi merece mais transparência.
Merece debate.
Merece jornalismo.
E, principalmente, merece respeito.

