Operação “Contenção” no Rio vira pesadelo: mais de 130 mortos e críticas ao governo estadual por uso excessivo da força

Ação policial desta terça-feira nos complexos do Alemão e da Penha deixa um rastro de violência, acusações de massacre e debate sobre a política de segurança do Estado

Operação “Contenção” no Rio vira pesadelo: mais de 130 mortos e críticas ao governo estadual por uso excessivo da força
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Operação “Contenção” no Rio vira pesadelo: mais de 130 mortos e críticas ao governo estadual por uso excessivo da força

 

Uma mega intervenção policial comandada pelo governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira (28) resultou em intensos tiroteios, dezenas de mortes e prisões — e já é alvo de duras críticas por parte de lideranças políticas e de direitos humanos. A “Operação Contenção”, envolvendo 2.500 agentes da Polícia Militar e Civil, visava desmantelar o território dominado pelo Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, mas gerou mais polêmica do que resultados claros.

Violência, mortos e caos

Fontes oficiais apontam que pelo menos 64 pessoas morreram, entre suspeitos e quatro policiais, durante a operação. Segundo estimativas da Ouvidoria do Estado e da Defensoria Pública, esse número pode ultrapassar 130 mortos, o que transformaria a ação na mais letal da história recente do Rio.

Táticas de guerra urbana marcaram a ação: helicópteros, drones, blindados e bloqueios de ruas foram usados, enquanto criminosos retaliaram com drones-bomba e barricadas, levando pânico às comunidades. A circulação de trens e ônibus foi interrompida, escolas fecharam e moradores relataram horas de terror.

Críticas pesadas ao governo estadual

O presidente do PT, Edinho Silva, condenou a operação como “desastrosa para toda a população”: “mais de 60 vidas foram perdidas”, afirmou, e responsabilizou diretamente o governador Cláudio Castro pela condução da ação. Para Edinho, a resposta não pode ser apenas militarizada e improvisada, especialmente em comunidades vulneráveis.

Especialistas em segurança e direitos civis também alertam: segundo Pablo Nunes, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC), a operação “reflete uma falência do Estado na política de segurança pública” — e traz à tona a pergunta: por que repetir estratégias letais que historicamente não produzem avanços duradouros?

Limites legais e pressão institucional

Não é a primeira vez que o STF interfere nas operações no Rio: em abril, o tribunal impôs diretrizes rigorosas para evitar abusos, estabelecendo regras sobre uso da força, presença de ambulâncias, perímetros a serem evitados (como escolas) e a necessidade de um plano de retomada territorial.

Agora, diante das consequências — civis mortos, acusações de execuções sumárias e impacto social — cresce a pressão para que o governo apresente explicações concretas, assuma responsabilidades e reformule sua estratégia de combate ao crime organizado.

O que está por vir

  • Investigações independentes: Órgãos como a Defensoria Pública e a Ouvidoria do Estado devem apurar eventuais abusos, mortes de civis e condutas ilegais nas ações.
  • Repercussão política: Parlamentares no Senado já pedem accountability institucional.

Debate público: A sociedade volta a discutir se a política de “tolerância zero” justifica o alto custo humano, especialmente nas favelas.