Bolsonaro Sob Vigilância: PF Cumpre Mandados e Imputa Uso de Tornozeleira Eletrônica Como “Cordão de Segurança”
Com mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF, ex-presidente passa a ser monitorado 24 horas, restringido em redes sociais e sujeito a severas medidas cautelares — em um cenário que reforça o cerco institucional sobre o bolsonarismo

Na manhã desta sexta-feira (18 de julho de 2025), a Polícia Federal deu um passo decisivo no cerco judicial contra Jair Bolsonaro: cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao ex-presidente e determinou a instalação imediata de tornozeleira eletrônica para monitorar seus movimentos.
Ação autorizada pelo STF impôs uma série de restrições: Bolsonaro deverá permanecer em casa durante o período noturno (entre as 19h e as 6h), está proibido de usar redes sociais, manter contato com embaixadores e diplomatas estrangeiros, bem como com outros investigados ou réus relacionados ao processo.
Fontes ligadas ao caso relatam que o cumprimento dos mandados e a imposição da tornozeleira fazem parte de medidas cautelares aprovadas pelo STF no âmbito da PET (processo eletrônico) nº 14129, a qual investiga Bolsonaro por suposto envolvimento em ações golpistas.
A decisão ocorre em momento simbólico de intensificação do enfrentamento institucional entre o bolsonarismo e o Judiciário. O ministro Alexandre de Moraes, responsável por essa etapa processual, justifica as medidas pela existência de indícios concretos de risco de fuga e obstrução da Justiça, com base em condutas atribuídas ao ex-presidente e ao seu círculo de apoio.
Integrantes da defesa de Bolsonaro reagiram com indignação, classificando a ação como episódio de perseguição política. O ex-presidente já havia manifestado descontentamento ao afirmar que a tornozeleira seria uma “suprema humilhação”.
Para analistas políticos de viés progressista, a operação representa um ponto de virada no embate entre instituições democráticas e forças antidemocráticas que buscaram desestabilizar o país após as eleições de 2022. A imposição de restrições severas, sem prisão preventiva imediata, evidencia o cuidado jurídico do STF em agir com firmeza, mas também com legalidade, diante de um ex-mandatário com forte apelo popular.
Esse incidente torna-se mais um capítulo no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado atribuída a Bolsonaro, que já estava sob delicadas medidas cautelares — inclusive com passaporte apreendido desde fevereiro de 2024 — e agora entra em fase de controle reforçado por tornozeleira eletrônica.
A sociedade brasileira estará atenta nos próximos dias aos desdobramentos: descumprimentos dessas medidas podem motivar a decretação de prisão domiciliar ou prisão preventiva, e põem à prova a capacidade das instituições de manter o Estado de Direito frente à resistência do bolsonarismo.

