Privatização de 30 anos da Zona Azul em Guanambi
Contrato de longo prazo provoca desconfiança e cidadãos questionam ausência de debate público e fiscaliza¬ção

A concessão por três décadas do estacionamento rotativo (Zona Azul) de Guanambi vem se consolidando sem o devido debate popular e com poucos esclarecimentos da gestão municipal. A contradição entre o discurso de “organização do trânsito” e as consequências reais sobre o comércio local e os cidadãos causa insatisfação — e expõe falhas graves no processo de privatização.
Concessão longa demais, sociedade fora da decisão
Em 4 de agosto de 2025, foi protocolado na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 18/2025, que revoga norma anterior e autoriza o sistema de estacionamento rotativo pago por prazo indefinido (ou prorrogado).
Apesar da importância do tema para a mobilidade urbana e economia local, não houve audiências públicas amplas nem ampla divulgação dos termos do contrato. Quem deveria saber — comerciantes, trabalhadores, moradores — sequer teve acesso aos números exatos de vagas disponíveis, previsão de arrecadação, divisão de receita, prazos de concessão ou cláusulas de fiscalização.
Essa falta de transparência reforça a sensação de que a concessão foi feita às pressas e nos bastidores, sem participação cidadã — o que fere princípios democráticos básicos para decisões de impacto coletivo.
Para quem depende do carro para trabalhar ou frequentar o centro, o custo recai diretamente sobre o bolso — e sem contrapartidas claras em melhorias de infraestrutura ou transporte alternativo.
Falta de fiscalização e controle público
Com a concessão, a gestão municipal praticamente abdica da função de operadora do serviço, transferindo a responsabilidade para uma empresa privada. Isso levanta questões:
- Quem fiscaliza a empresa?
- Há metas de qualidade, transparência nos repasses e prestação de contas à sociedade?
- O município perdeu o controle sobre lucros e uso do solo urbano por 30 anos — muito tempo para ficar refém de uma empresa privada.
Sem respostas públicas, a concessão soa como um presente à iniciativa privada, não como um projeto de mobilidade urbana para o bem coletivo.
O silêncio da mídia local: omissão preocupante
Em uma cidade onde decisões como essa deveriam mobilizar debates públicos, curiosamente há escassez de reportagens investigativas ou editoriais críticos sobre a privatização. A imprensa convencional tem dado voz apenas a notas oficiais e anúncios superficiais — deixando de cumprir seu papel de guardiã da transparência e do interesse público.
Esse silêncio alimenta a desconfiança: se não há questionamento, quem se beneficia com esse tipo de concessão de longo prazo?
O custo real para Guanambi
- Trabalhadores e motoristas pagam o preço: para quem estaciona todos os dias, o gasto se acumula;
- Cidade perde controle sobre patrimônio público: por 30 anos, a gestão abre mão de influenciar o uso das vagas e da receita;
- Falta de participação popular e transparência: decisões tomadas sem debate, sem controle social e sem prestação de contas.
Conclusão: Guanambi precisa retomar o controle e exigir transparência
A privatização do estacionamento rotativo por 30 anos não deveria ser vista apenas como um contrato administrativo — mas como uma escolha estratégica sobre quem governa o uso do espaço público e sobre quem paga as contas no dia a dia.
Se o serviço será prestado por terceiros, que se ofereça mais transparência, fiscalização, diálogo e participação popular. Até que isso aconteça, a concessão permanece marcada por dúvidas, prejuízos e uma omissão coletiva.
Guanambi merece mais do que um sistema tarifado: merece mobilidade justa, controle social e gestão pública transparente.

